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22.2.07
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Este é o primeiro de (para já) 15 posts dedicados totalmente ao tema. E para começar, nada melhor que fazer uma analise às funções de um webdesigner.

O webdesign é uma profissão relativamente nova (surgiu em meados de 1991), e ainda há muita gente ainda não faz a mínima ideia o que é que um webdesigner faz. Basicamente, é um designer que se especializou na produção de conteúdos para a internet.

Então, quais são os requisitos para este ofício?

Conhecer o meio!
Primeiro que tudo, é essencial conhecermos bem o meio onde nos movemos, a internet. Devemos navegar muito, ver e analisar diversos tipos de sites de modo a nos mantermos actualizados de acordo com as tendências e exigências do mercado.
E porque o nosso mundo não é só a internet, ver televisão, ler revistas, ver posters e outdoors e até ouvir a conversa do vizinho do lado. A análise de todos esses elementos ajuda-nos a criar uma noção do que está em voga.
Ao analisarmos um site ou uma peça, devemos colocar algumas perguntas a nós próprios, tipo que técnicas ou abordagens foram utilizadas para atingir determinado resultado, e se esse resultado funciona ou não, dentro das circunstâncias.

Versatilidade!
Um bom webdesigner não tem que ser, propriamente dito, um programador exímio, ou um designer gráfico brilhante, ou um fotógrafo profissional, ou um especialista em marketing, ou um consultor. Deve antes, ser capaz de conciliar um pouco de todas essas características.
Hoje em dia, vêem-se por aí alguns "webdesigners" que são mais designers gráficos que outra coisa.. os seus conceitos podem ter um aspecto maravilhoso nas maquetes, mas a sua concepção é totalmente inviável, resultando muitas vezes, em coisas pesadas, sem navegabilidade e estrutura.
Os designers gráficos muitas vezes não entendem conceitos básicos da usabilidade nem dominam as linguagens de markup, e recorrem a código gerado automaticamente pelas ferramentas de desenho..

Ser imaginativo e criativo dentro das limitações!
O webdesign tem regras. Não existe propriamente a liberdade da tela, há que conhecer as linguagens, a sua forma de construção e os seus limites. Por vezes, para conseguimos aproximar o resultado final ao conceito, temos de ser criativos e saber "dar a volta". E sem nos apercebermos, podemos estar mesmo a inovar.

Conhecer bem o próprio ofício e em parte, o dos outros!
Bom conhecimento da internet e das ferramentas, linguagens, standards e tecnologias que se usa é fundamental, se quisermos que o nosso trabalho seja integralmente profissional.
Deve existir, desde que iniciamos o desenvolvimento de um site, uma preocupação de como vamos construi-lo, saber prever o seu comportamento, e se aquilo que estamos a fazer é o mais adequado. Também devemos saber prepara-lo para ser trabalhado por outras pessoas, nomeadamente, programadores.
Um bom webdesigner tem que ser capaz de construir um site utilizando HTML e CSS e faze-lo "como manda a lei". Hoje em dia, o CSS desempenha um papel muito importante, porque ao separar o conteúdo da apresentação, cria flexibilidade nos layouts e permite fazer modificações sem necessidade de alterar a estrutura do site, poupando assim imenso tempo.
Temos que nos certificar que o nosso site funciona em diversos browsers e em diversas resoluções de monitores, e que é funcional e intuitivo.

Devemos ter ainda conhecimentos sobre outros aspectos que afectam directa ou indirectamente o site, como por exemplo, alojamento, domínios, servidores, browsers, motores de busca, sistemas operativos, etc..

Saber o que se vai fazer!
É fundamental conhecermos os objectivos do trabalho que estamos a desenvolver. Conhecer o seu propósito, a audiência a quem se destina, as necessidades do cliente, etc.

Saber lidar com o cliente!
Saber escutar o cliente, saber o que ele aspira, fazer perguntas para identificar as suas necessidades e fazer sugestões de acordo isso. Devemos saber recomendar soluções e explicar-lhe as vantagem deste ou daquele método.
É conveniente certificar-nos que o cliente está seguro daquilo que pretende, e não hesita muito, pois corremos o risco de ter que refazer o trabalho, apenas porque ele não gostou de algum aspecto no resultado final.
Ter em atenção que o webdesigner nem sempre é responsável pelo conteúdo de um site. A menos que seja um projecto de caracter pessoal, o conteúdo deve ficar a cargo do cliente e ele deve ter noção disso.

Saber gerir o tempo e as prioridades!
Fazer uma boa gestão de tempo é essencial, porque quando um cliente paga, o mais certo é quer começar a ver resultados no dia seguinte. Logo, para evitarmos situações mais desagradáveis, devemos tentar não nos empanturrarmos de trabalho, de modo a sermos capazes de cumprir com os prazos estabelecidos. Planificar todas as fases de produção é uma boa ideia.
Não nos podemos esquecer de salvaguardar sempre algum tempo para margem para erros, contra-tempos e imprevistos, para podermos trabalhar à vontade, sem a pressão constante e iminente do prazo.

Saber lidar com o feedback!
Sermos críticos com o nosso próprio trabalho não chega! Devemos pedir opiniões de como este poderia estar melhor, e estar abertos a sugestões, mesmo que estas sejam completamente estapafúrdias. Devemos analisa-las e verificar se têm fundamento ou não.
É oportuno saber fundamentar bem as nossas escolhas, e sempre que possível com factos e dados estatísticos, se quisermos ter algum controlo criativo em todo o processo.

Ser responsável!
Tentar cumprir os prazos, e antes de entregar o site ao cliente, certificar-nos que esta tudo a funcionar devidamente, que não existem bugs, que carrega rápido e sem problemas, que é correctamente apresentado em vários browsers, e que as várias resoluções não afectam a sua visibilidade.
Devemos manter-nos em contacto com o cliente, ajuda-lo a com as suas dúvidas, ou caso ele necessite de fazer alterações justificáveis ao site.
Se ele gostou do nosso trabalho, vai certamente recomendar-nos a outras pessoas, o que e muito importante.

Formação continua!
Neste meio não podemos parar de aprender e desenvolver as nossas capacidades e técnicas, sob a pena de ficarmos para trás. Tal como em muitas outras profissões, no webdesign não existem metas, está sempre em constante evolução, por exemplo, quando dominamos uma linguagem, aparece outra e voltamos ao princípio, ou cada versão nova que sai de um programa, com características que não conhecemos ou não estamos habituados, ou as técnicas novas que aparecem todos os dias. É uma exigência da profissão que estejamos sempre alerta e sejamos rápidos a aprender a aplicar conceitos novos.
Quando queremos fazer algo e não sabemos como, uma das melhores formas de aprender é observando o trabalho dos outros, analisando o código e as técnicas utilizadas, desconstrui-lo e voltar a construi-lo. Não há que ter vergonha em perguntar como isto ou aquilo foi feito. A troca de ideias e experiências com outras pessoas que estão no mesmp meio é uma mais-valia.
Também aprendemos muito à custa dos nossos erros, e das tentativas que fazemos. Devemos conhecer as nossas limitações e tentar supera-las, e não temer os desafios.

A experiência é tudo!
"Practice makes perfect"!
Os últimos dois anos têm sido decisivos para o meu desenvolvimento enquanto webdesigner, tenho aprendido bastante durante este tempo, talvez porque tenho-me dedicado com grande afinco à profissão. Cada site que faço representa mais um desafio, mais uma oportunidade de evoluir, e quando isso acontece, sinto-me realizada.
Quanto mais profissionais nos tornamos, mais noção temos que o webdesign não é assim tão fácil como pode parecer à primeira vista..
link do postPor Isa, às 03:17  comentar

De Tiago G a 22 de Fevereiro de 2007 às 03:49
Bom post, devias dedicar um inteiro a "como não ficar a arder sem $ depois de fazer um site" :)

PS - há alguns erros ortográficos que quebram a leitura mas fora isso é um bom começo para a série de 15.

De Margarida a 22 de Fevereiro de 2007 às 09:09
Parabéns pelo artigo Isa está muito bom mesmo, muito bem construído e completo, gostei muito :)

De Dextro a 22 de Fevereiro de 2007 às 10:40
E do que tenho visto do teu portfolio tens feito um trabalho recheado de qualidade :)

Gostei de ler e vou ansiosamente ficar á espera dos outros capítulos desta "saga" hehe.

Saber gerir o tempo e as prioridades!


Tinha só de deixar a ressalva que este ponto aplica-se a tudo na vida e não apenas ao webdesign :)

De Rui Moura a 22 de Fevereiro de 2007 às 11:40
Muito bom artigo, as usual ;)

De Mª João Nogueira a 22 de Fevereiro de 2007 às 11:53
Hummmm.

Mas quem é o teu cliente?

No caso dos Blogs, por exemplo. O teu cliente sou eu, ou é o utilizador final? :)
E quando o que o teu cliente interno (neste caso, eu) te pede algo que tu achas incompatível com as necessidades do cliente final?
Como é que descalças a bota?

De Sérgio a 22 de Fevereiro de 2007 às 12:41
Interessante mas para já algo generalista. Os mesmos tópicos poderiam ser escritos para qualquer outra profissão. Seria interessante, talvez num próximo texto, discutir o que há de único no "web design" face a outros "designs".

De Nuno a 22 de Fevereiro de 2007 às 13:06
nós geralmente pedimos adjudicação... 40% ou 50% do trabalho... agora o tempo que leva a receber o restante é que é complicado... eu já cheguei a uma brilhante conclusão: nós gostamos de ser boas pessoas, informais, radicais e tudo mais e facilitar a coisa... mas não... já vi que não há margem para isso... o que o cliente quer (ou vai ter de comer) é mesmo o formal e institucional caderno de encargos... há que começar a redigi-los... prever orçamento para tudo que o que seja extra ao caderno e fazer o cliente assinar aquela merda ou um contrato de prestação de serviços... é cumprir com os prazos e com o trabalho que lá está para não sermos nós a parte faltosa... tá escrito e assinado e é legal... "ai é chato e não é boa onda... não é account free" pah... safoda! chato é não vermos o pilim!

De Nuno a 22 de Fevereiro de 2007 às 13:16
para a maria joão: se fosse eu... não descalçava... provavelmente batia-me a principio mas se não resultasse faria o que pedias e deixava-te sofrer com a má decisão! lolol mesmo sabendo que iria ter trabalho outra vez para por as coisas como deve ser... mas não te poupava ao "i told you so...". É um hábito comum por parte dos clientes finais acharem que sabem como é que as coisas devem ficar... e acabam por nos pedir coisas ridículas... eu não sou de criar laços amorosos ao trabalho que faço... e se o cliente não confia no nosso profissionalismo porque não somos nenhuma empresa de consultadoria (aí muitas vezes pagam e não bufam porque há nome e prestigio)... e se a insistencia por parte dele for muita... eu faço o que o gajo quer... vejo o meu guito... e volto costas àquilo... provavelmente nem considero para portfólio...

De Isa a 22 de Fevereiro de 2007 às 13:45
Tiago, tens razão, tenho algumas ideias mal coladas mesmo e uns acentos em falta :P..a ver se dou um jeitinho ^^

Jonas, considero o meu cliente a pessoa que me encomenda o trabalho. No caso dos blogs, tu és a minha cliente (ou a representante do cliente), porque foste tu que me "arranjaste" o trabalho e é contigo que eu discuto os pormenores, e se achar que alguma das tuas opiniões é incompatível para a audiência do site, vou tentar provar-te por a+b a razão da discórdia, e tu analisas os factos e aceitas ou não. E em caso do "não", vou acabar por fazer como tu queres ^^ ..é um bocadinho como o nuno disse no último comentário he he

Sérgio, sim, só prova que é uma profissão igual a tantas outras, embora algumas vezes não seja levada a sério, e era isso que queria provar com este post.. era para ter feito a distinção que falas mas acabei por mudar de ideias.. se reparares na frase "É basicamente um designer que se especializou na produção de conteúdos para a internet" notas que está um bocado mal amanhada..foi porque acabou por ser cortada..mas vou pensar no assunto :)

Obrigada a todos pelos comentários ;)

De José Carlos a 22 de Fevereiro de 2007 às 17:46
Bom artigo! Disseste 15? A ver pelo inicial, venham eles.

 

Isa. Webdesigner, geek, apple fangirl assumida, necessita tanto de uma ligação à internet como do ar que respira. Adepta das novas tecnologias e sempre atenta às novidades!

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