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25.11.07
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Uma reunião de briefing é indispensável para que os pormenores e prazos do site sejam definidos e estabelecidos.
Conhecer o cliente e o que ele espera de nós é uma parte essencial para o trabalho que vamos desenvolver. O contacto através email ou telefone nem sempre é eficaz, e geralmente torna processo mais demorado.

Acontece por vezes o cliente não saber bem o que quer, ou querer coisas que não se adaptam de modo nenhum às suas necessidades só porque viu em algum sítio e gostou. Temos que saber aconselhar e se for preciso mostrar-lhe o caminho certo, lembrar-lhe que o site não é para ele, mas sim, para os seus clientes/visitantes.
E enquanto uns clientes deixam tudo nossas mãos e o que nós decidirmos, eles entendem que é bom, outros são muito dificies, por isso, estejam preparados para tudo..
De modo a facilitar o processo, antes de sairmos para uma reunião, devemos fazer o trabalho de casa: visitar sites do género daquele que vamos fazer, analizar, tirar notas e conclusões, para podermos fazer sugestões.

Numa reunião traçamos os perfis gerais: objectivos, público-alvo, conteúdos, navegação, e funcionalidades.

Objectivos do site
O objectivo base de um site é dar a conhecer e facilitar a comunicação entre a empresa ou instituição e possíveis clientes/utilizadores/visitantes. Logo, deve ser bem claro quanto à mensagem que pretende transmitir e ter funcionalidades que se adaptem à sua natureza.
Deve ser fácil e agradável de navegar, e deve proporcionar uma boa experiência de utilização.

O público alvo
População em geral, faixas etárias, géneros, nichos, etc.
Conhecer o público-alvo é determinante para uma comunicação visual adequada e eficaz. Cores, formas, elementos gráficos, tipos de fontes, tudo depende de a quem se destina o site.

Tipo de conteúdo
Deve ter uma linguagem adequada ao público-alvo, deve ser claro e conciso. Desaconselha-se sempre grandes testamentos, para não entediar o visitante. As pessoas nem sempre estão dispostas a perder muito tempo a ler, e captam melhor a mensagem se esta não tiver muitos rodeios. Muitas vezes, os visitantes já têm uma ideia do que procuram e se não encontram o que pretendem à primeira, abandonam o site.

Claro que existem excepções, e depende da natureza do site. No caso de sites de documentação (ex. reviews, descrições, publicações, referencias, wikis, blogs, etc), é natural que tenham longos textos, mas nesse caso, o visitante já sabe o que o espera. De qualquer forma, se vamos fazer alguém passar muito tempo a ler num site desse tipo, temos que lhe facilitar a leitura com recurso ao design.

Navegação
A navegação é muito importante. Menus pouco claros, navegação confusa, botões ou ligações em sítios estranhos, o não relacionamento de conteúdos, o mapa do site inexistente ou ineficaz, são inimigos do sucesso.
O site deve ser estruturado e desenhado de forma a facilitar o acesso a todas as áreas, de primeiro nível bem como secundárias
Deve ter um visual e navegação fácil, coerente, e persistente.

Funcionalidades
O que deve existir no site e que vai de encontro às necessidades do cliente ou do público-alvo, exemplo: formulários de contacto, recolha de informações sobre utilizadores, foruns de discussão, etc.
Apurando as funcionalidades necessárias, identificamos também o tipo de tecnologia a aplicar.

Da reunião resulta também um fluxograma e um rascunho do futuro site, com o possível posicionamento dos elementos e esquema de navegação. A partir daí ficamos com uma ideia clara e podemos passar à fase seguinte, que é desenvolver uma maquete.

Tudo deve ficar assente e elaborado num caderno de encargos, que deve ser aprovado e assinado por ambas as partes e cumprido na integra. Prazos, fases, e valores. Isto é a nossa melhor defesa, pois se da nossa parte for tudo cumprido, podemo-nos poupar a inúmeras chatices. Além disso, aquelas modificações chatas de última hora geralmente não se encontram no caderno e têm valor acrescido.
link do postPor Isa, às 03:13  comentar

De cátia a 25 de Novembro de 2007 às 14:34
Este artigo fez-me lembrar os meus três últimos anos de universidade. De cada vez que faço um projecto, lá tenho que ir rever estas matérias que são sempre as primeiras para a fase de desenvolvimento do projecto e são as cruciais se queremos ter um bom projecto no final.
Presumo que isto venha a ter continuação para as próximas fases, certo?

De Isa a 25 de Novembro de 2007 às 15:11
Sim, à partida estão previstos 15 posts sobre o assunto :)

De Isa a 25 de Novembro de 2007 às 13:42
@Bruno, obrigada pela correcção, quando estava a escrever estava a pensar em "flow chart", a tradução é que não foi a melhor escolhida, mas vou fazer a alteração :)

@Mário, é como te disse, apanhamos de tudo, temos que estar preparados e se for preciso, engolir uns sapos no processo..

Quando à tua pergunta, depende da natureza do site. pode ser desde uma semana a um ano ou mais. O importante é que fique tudo descriminado no caderno de encargos.

Tipo: Fase 1, data de inicio e fim, elementos x e y entregues, custo tal.

Outro ponto que tem de ficar sempre bem assente é que o prazo de entrega é sempre a contar após a recepção total dos conteudos para o todo ou fase. Ex: "2 meses após recepção dos conteúdos".

A ideia é cumprir à regra o caderno e responsabilizar ao máximo o cliente para evitar chatices.

De Mario Andrade a 25 de Novembro de 2007 às 11:30
Há tanto tempo que não via um artigo destes.

O problema é que o cliente nem sempre aceita o que nós dizemos. Eles vêem, querem, exigem mas na realidade não tem nenhuma aplicação prática.

Regra geral o que tenho apanhado é:
Olhe aqui o site da concorrência, faça-me algo deste género.

Já agora por curiosidade. Quanto tempo, em média, costumam ter (quem quer que leia este comentário) para criar um site simples?

De Bruno Figueiredo a 25 de Novembro de 2007 às 08:13
Parabéns pelo artigo. Este tipo de artigos em português faz sempre falta. É sempre importante rever esses conceitos, mas também é importante envolver uma amostra de utilizadores finais no processo, o que se designa normalmente por "Design Centrado no Utilizador" - http://en.wikipedia.org/wiki/User-centered_design.
Por melhor que seja o designer, definir tudo apenas com o cliente nunca resulta num site eficaz. Na fase que descreves é importante também efectuar alguns exercícios de arquitectura de informação: análises competitivas (http://www-128.ibm.com/developerworks/webservices/library/us-analysis.html), análises à estrutura taxinómica, card sorting (http://www.boxesandarrows.com/view/card_sorting_a_definitive_guide), protótipos em papel (http://www.paperprototyping.com/), etc...
Um pequeno reparo: organograma não é a palavra mais apropriada. Organograma é um diagrama que representa a organização hierárquica de uma empresa ou instituição (patrão > directores > chefes > empregado). A designação mais correcta é mapa do site, que no fundo é uma variante simplificada de um fluxograma.

 

Isa. Webdesigner, geek, apple fangirl assumida, necessita tanto de uma ligação à internet como do ar que respira. Adepta das novas tecnologias e sempre atenta às novidades!

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